Situação crítica para Dilma

A cada sinal de agravamento da crise do governo da presidente Dilma Rousseff, o PMDB dá um novo passo para longe do governo. A mais alta taxa de reprovação a um presidente da história, somada à ameaça do impeachment e à crise econômica, tem levado o partido do vice-presidente, Michel Temer, a dar sinais cada vez mais evidentes de rompimento.

Por ser a legenda mais numerosa na Câmara (69 deputados) e no Senado (18 senadores), o apoio do PMDB é essencial para que o Planalto consiga aprovar projetos de seu interesse.

Desde o ano passado, no entanto, parte da bancada do PMDB tem se mostrado infiel, o que contribuiu para derrotas importantes ao governo e até mesmo para paralisação de pautas fundamentais, como projetos para promover o ajuste fiscal.

No atual momento, uma base aliada sólida é fundamental para o Planalto conseguir os votos necessários para barrar a aprovação do processo de impeachment, em andamento na Câmara. Por isso o desembarque preocupa e tem feito Dilma avaliar formas de convencer o PMDB a desistir da ideia. Se a petista sair, Temer assume a Presidência.

Para uma ala do partido, o PMDB já deveria ter deixado a base de apoio de Dilma. Na próxima terça-feira (29), uma reunião do diretório nacional, inicialmente marcada para abril e antecipada para março, fará uma votação para encerrar o assunto.

A questão é que os passos do PMDB para longe do governo petista começaram há muito tempo, acompanhando os altos e baixos de Dilma. A despeito de queixas contra a presidente e de declarações em diferentes direções por parte de lideranças do PMDB, em relação ao apoio ou não à presidente, a saída oficial da base aliada tem se mostrado um verdadeiro vaivém.

Ainda que o desembarque não tenha se concretizado das outras vezes, é fato que, a cada vez que o debate aparece, maior fica o distanciamento entre o partido e o Planalto.

Outras vezes em que o PMDB deu sinais de desembarque

janeiro de 2014

No momento em que o PMDB ocupava cinco ministérios, lideranças do partido cobravam mais espaço na Esplanada. Dilma resistia à ideia porque precisava deixar cargos para outras legendas da base. A direção do PMDB chegou a dizer que adiantaria de junho para abril a convenção nacional que definiria as alianças para as eleições presidenciais e anunciaria nessa ocasião a saída do governo. Em março, Dilma fez mudanças em ministérios e deu mais uma pasta ao PMDB. O partido continuou no governo e na chapa de Dilma.

março de 2015

A fala do então ministro da Educação, Cid Gomes, de que a Câmara era ocupada por "achacadores", fez com que a cúpula do PMDB ameaçasse deixar o governo caso Dilma não o demitisse. A fala irritou a bancada do partido, em especial o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), opositor declarado do governo. Cid pediu demissão.

setembro de 2015

A relação entre Dilma e a base aliada está ainda mais enfraquecida, e a aprovação do governo chega a 8%, segundo a pesquisa do Datafolha divulgada em agosto. Os rumores de que o PMDB poderia deixar o governo ressurgem e parte da legenda quer aproveitar o congresso da sigla em novembro para anunciar a saída. Em outubro, Dilma amplia para sete o número de ministérios entregues ao PMDB e faz mudanças em outros pastas com intuito de dialogar com a legenda.

dezembro de 2015

O pedido de abertura do processo de impeachment de Dilma é aceito por Eduardo Cunha e, cinco dias depois, vem a público carta escrita por Temer com duras críticas à presidente. O texto é interpretado como o sinal para o desembarque. O documento, no entanto, repercute mal até mesmo entre lideranças da oposição, para quem o gesto foi “fisiológico”.